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Bota ponta, Telê! Hoje é dia de Jô!

    Já começo pedindo desculpas antecipadas pela minha incompetência no que diz respeito à imparcialidade desse post, nunca que eu poderia ser imparcial ao dizer sobre um herói da minha juventude, sim, depois de uma infância de Spider-Mans e Kamen Riders, eu tive e ainda tenho o Jô Soares como meu grande herói. Logo de cara parece fácil falar de uma pessoa que se tenha tanta admiração, mas a incapacidade de fazer um post digno de tal herói, me obriga descê-lo para um pedestal mais baixo e visível para todos. Já adianto que não falarei muito do Jô comediante, o foco aqui é o Jô escritor, esse é o Jô que eu tento todos os dias NÃO copiar, eis um grande desafio, pois esse lado dele que me inspira em tudo o que faço.

     José Eugênio Soares, o gordo multifuncional, ele é escritor, ator, artista plástico, humorista e ainda tem tempo para ser músico. Um homem energético que se considera preguiçoso, apresentador de um talk show de dar inveja à muito estadunidense. O homem que descobriu um dos maiores segredos da felicidade, fazer aquilo que gosta, isso ele leva ao extremo, pois faz, na medida do possível, tudo o que gosta, o que gera esse homo universalis tão espontâneo.

     Em seus romances nota-se uma obsessão, os assassinatos. Em "Assassinatos na Academia Brasileira de Letras", "O Homem que Matou Getúlio Vargas", "O Xangô de Baker Street" e "As Esganadas", Jô Soares encara a morte de forma irreverente, com essa mistura mágica de humor e mistério. Eis uma tarefa que só alguém como ele poderia realizar, escrever livros tão ricos em relatos históricos, requer uma dedicação extraordinária que só alguém apaixonado é capaz de fazer.

    Lançado em 1995, "O Homem que Matou Getúlio Vargas" é fruto de uma pesquisa pessoal de dois anos, em que leu aproximadamente 80 livros para ter uma base histórica mais consistente, nos dias de folga do Jô Soares Onze e Meia, ele escrevia das duas da tarde até à uma da manhã. Já em O Xangô de Baker Street, lançado no mesmo ano, Jô teve o auxílio de uma equipe de pesquisadores, tendo concluído tudo em meio ano.
     Essa foi apenas uma palhinha do empenho desse homem apaixonado pelo o que faz, em breve traremos posts com mais detalhes sobre o Jô escritor!

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Caipira, ou porque não Arte?

Caipira, ou porque não Arte?

Socorro!!! Hoje estou inspirada, e pra quem não gosta do “Caipirão do Bão”, aconselho a dar uma chance a essa arte musical que tem cheirinho de mato, esterco e sensação de brisa numa linguagem bem roceira. Mas antes de continuar, em homenagem aos que realmente sentem prazer em falar sobre esse assunto, vamos rever uma pérola do Caipira conhecida pela maioria dos brasileiros: a canção "Você vai gostar" de Elpídio dos Santos interpretada na belíssima voz de Sérgio Reis.



Não sei por que, mas de repente me bateu uma vontade de falar de um assunto que hoje em dia já não se fala mais: o legítimo estilo caipira, o caipirão danado do interior, ou melhor, do rancho. Estilo musical que traz saudades da infância, da casa da vovó, das noites de luar onde se podiam ver as estrelas à noite, do cheiro de querosene queimando na lamparina. Época em que se ouviam canções em radinhos de pilha, aliás, quem nunca fez isso com o pai?
Eita época boa em que se faziam lindas serenatas e a preocupação maior era em ser feliz! Em que sentar numa mesa de bar era sinônimo de expressão de alegria. Onde se criavam histórias muitas vezes surreais, mas quando cantadas em melodias “caipirescas” eram capazes de fazer qualquer um que ouvisse projetar, em sua mente, cada detalhe desde o mais absurdo podendo quase transferir para a realidade.





É claro que eu não vivi essa época, mas cresci ouvindo causos de meu pai, avós e outras pessoas mais velhas. Infelizmente essa época não voltará para dar oportunidade aos dessa geração complicada da qual eu também faço parte, o que é uma pena, pois antes sim se sabia viver a vida de maneira intensa. Havia música que realmente retratava os sentimentos. Expressava-se tristeza, alegria, romance, coragem, enfim, qualquer sentimento de uma forma inocente, pura...


Muitos já choraram a perda de alguém querido ouvindo essas músicas, ou simplesmente se emocionam apenas pela intensa emoção que transmitem. Alguns já se imaginaram numa casinha branca com capela lá no pé da serra, ou se imaginaram grandes caçadores de onças ferozes.
Inúmeras são as histórias, e a imaginação é sem limites. O caipira não é apenas um estilo musical. É também arte e fantasia. É uma porta que te leva para o mundo da imaginação....É criativo e te leva a sonhar. E é disso que precisamos hoje, de um motivo para sonhar, de um impulso para sair um pouco da realidade cansativa e cair no universo de fantasias.

 

Grandes artistas foram responsáveis por levar a alegria de viver através desse estilo musical. Tonico e Tinoco, Jacó e Jacozinho, Abel e Caim, Sérgio Reis, Elpídio dos Santos e muitos outros que abusaram da criatividade na hora de dar nome à dupla. É velho? É, mas é inocente, é engraçado, emocionante, surreal, triste e é acima de tudo: arte, porque um só estilo se diversifica e retrata, ao mesmo tempo, um pouco da história de cada um. Quem nunca se identificou?

Clique no link abaixo para conhecer a história de uma das maiores duplas caipiras da história: Tonico e Tinoco... Curte a saudade aí!!!!




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A casa da Vovó

Aproveitando a semana da criança, vamos falar hoje desse mundo mágico e cheio de fantasias que é o da criança. Todos que leem esse blog já foi criança um dia, e nessa época tínhamos o poder de enxergar além do que os olhos conseguiam ver. Às vezes um pedacinho de papel se transformava numa enorme e poderosa nave espacial, ou com uma simples folha de árvore podíamos comprar tudo que queríamos.....




 Éh!!!! Esse era o mundo da fantasia que enquanto crianças não sabíamos a falta que nos faria um dia!!!! E já que estamos falando em fantasias, quero hoje aproveitar a brechinha do dia das crianças e postar aqui um lindo poema criado não por uma escritora famosa, mas por alguém muito especial, principalmente para mim: minha filha Vitória de onze anos, que conseguiu dar vida poética a coisas que para nós adultos não têm sentido algum, e vão perceber que num quintal é possível encontrar as mais lindas e belas rimas, rimas estas que nos fazem muita falta nos dias tão corridos que temos hoje!



A casa da Vovó.

Três lindos pássaros saltando
Como se estivessem num jogo,
E um cantinho pegando fogo.
Uma casinha cheia de troncos,
E folhas de árvore e de papel de escrever.
Uma casa para construção,
E um lindo pé de algodão.
Uma pia quebrada,
E uma parede rachada.
Uma plantação de hortaliças,
E borboletas dançarinas.
Em um alpendre maravilhoso
Há um banco de praça.
Um cheirinho de bolo bem gostoso,
E o vovô cheio de graça!
Um caminhão cheio de cervejas
Que acabou de passar.
Onze caixas de marimbondos,
Um sol rochoso e um pé de castanhas
Balançando com o ventinho a soprar!!!!!


E quem de vocês não sentiu saudades da casa da vovó????


















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Alvares de Azevedo, um romântico ao extremo


Dramaturgo, poeta e Don Juan brasileiro, Manuel Antônio Alvares de Azevedo foi um dos maiores escritores do ultra-romantismo. Em seus trabalhos encontra-se material nocivo para a saúde mental de qualquer desavisado, mas nem por isso vou deixar de recomendar esse escritor, do qual suguei os mais fortes escritos já lidos em minha adolescência.
            Grande admirador da pureza feminina, da qual procurava nos ambientes mais improváveis, mas como dizia em uma de suas obras:

“A virgindade da alma pode existir numa prostituta, e não existir numa virgem de corpo. Há flores sem perfume, e perfume sem flores. Mas eu não sou como os outros. Acho que uma taça vazia pouco vale, mas não beberia o melhor vinho numa xícara de barro.”
(Alvares de Azevedo - Macário)
Essa busca por tal virgem pura de corpo e alma, rendeu contos e poemas intensos, que fazem-nos refletir sobre o apreço que temos pelas pessoas e inclusive pela própria vida, um em especial mexeu comigo de forma que nenhum verso havia feito antes:

Lembrança de Morrer
Quando em meu peito rebentar-se a fibra,
Que o espírito enlaça à dor vivente,
Não derramem por mim nenhuma lágrima
Em pálpebra demente.
E nem desfolhem na matéria impura
A flor do vale que adormece ao vento:
Não quero que uma nota de alegria
Se cale por meu triste passamento.
Eu deixo a vida como deixa o tédio
Do deserto, o poento caminheiro,
... Como as horas de um longo pesadelo
Que se desfaz ao dobre de um sineiro;
Como o desterro de minh’alma errante,
Onde fogo insensato a consumia:
Só levo uma saudade... é desses tempos
Que amorosa ilusão embelecia.
Só levo uma saudade... é dessas sombras
Que eu sentia velar nas noites minhas...
De ti, ó minha mãe, pobre coitada,
Que por minha tristeza te definhas!
De meu pai... de meus únicos amigos,
Pouco - bem poucos... e que não zombavam
Quando, em noites de febre endoudecido,
Minhas pálidas crenças duvidavam.
Se uma lágrima as pálpebras me inunda,
Se um suspiro nos seios treme ainda,
É pela virgem que sonhei... que nunca
Aos lábios me encostou a face linda!
Só tu à mocidade sonhadora
Do pálido poeta deste flores...
Se viveu, foi por ti! e de esperança
De na vida gozar de teus amores.
Beijarei a verdade santa e nua,
Verei cristalizar-se o sonho amigo...
Ó minha virgem dos errantes sonhos,
Filha do céu, eu vou amar contigo!
Descansem o meu leito solitário
Na floresta dos homens esquecida,
À sombra de uma cruz, e escrevam nela:
Foi poeta - sonhou - e amou na vida.
Sombras do vale, noites da montanha
Que minha alma cantou e amava tanto,
Protegei o meu corpo abandonado,
E no silêncio derramai-lhe canto!
Mas quando preludia ave d’aurora
E quando à meia-noite o céu repousa,
Arvoredos do bosque, abri os ramos...
Deixai a lua pratear-me a lousa!
           
            Tantas obras de tirar o fôlego em uma vida tão curta. Aos 21 anos incompletos, ele faleceu, deixando a ideia de que já esperava o beijo da morte, como é citado em sua antologia “Lira dos Vinte Anos”:
“Vinte anos! derramei-os gota a gota
Num abismo de dor e esquecimento...
De fogosas visões nutri meu peito...
Vinte anos! ... não vivi um só momento!”
(Alvares de Azevedo – Saudades)
 

Eis o gênio que me apresentou ao mundo de Byron, Goethe e tantos outros escritores fantásticos que tive o prazer de ler!

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Samba, ritmo que contagia!!!!!



SAMBA, RITMO QUE CONTAGIA!!!!!

Que tal falarmos hoje de um assunto bem Brasileiro? Algo que querendo ou não está no nosso DNA ; algo que por mais que alguns tentem evitar, é impossível conter aos seus encantos: o nosso querido e original 




O samba nasceu na Bahia, no século 19, da mistura de ritmos africanos, mas foi no Rio de Janeiro que ele criou raízes e se desenvolveu, mesmo sendo proibido. Quem fosse pego dançando ou cantando samba corria um grande risco de ir “sambaratrás das grades e isso porque ele era ligado à cultura negra, que era mal vista na época (década de 20). Só mais tarde é que ele passou a ser encarado como um símbolo nacional, principalmente no início dos anos 40.

Com o passar do tempo ele ganhou novos sotaques, novos modos de ser tocado e cantado, e isso faz dele um dos ritmos mais ricos do mundo. Contagiante, que exala vida e emoção. Música que canta a vida de seu melhor ângulo. Encanta e emociona. É cômico,trágico, ousado ou romântico.


São tantas características que ele possui, que é difícil alguém não se adaptar a ele, e são tantos compostos que é impossível ficar de fora: Samba de Breque, Samba Batido, Samba Canção, Samba Enredo, Samba de Roda, Samba Rock, entre outros, e é claro, o melhor (na minha opinião): o Samba de Raiz que é a expressão mais autentica da cultura brasileira...



...e são tantos os que encantam e já encantaram soltando a voz num hino universal da felicidade! Herança que passa de geração em geração; estilo que não escolhe cor ,raça, etnia, nacionalidade ou qualquer característica específica de alguma pessoa.





E se tem uma coisa que é unanime, apesar de seus diferentes estilos é que, não tem nada que combine melhor com ele do que uma turma de amigos num final de semana, churrasco e uma cervejinha bem gelada!



Dá uma clicada aí no link para conferir a história desse tesouro nacional que, apesar das dificuldades que passamos nos dias de hoje, é incrivelmente forte para nos levantar o astral....

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Esperanza, uma estadunidense bem brasileira

Sei que o objetivo do blog é divulgar as jóias da literatura e da música brasileira, mas hoje falaremos de uma estrangeira que tem um carinho especial pela nossa música.
Esperanza Spalding é uma contrabaixista estadunidense, nascida no estado de Oregon. Teve seu primeiro contato decisivo com a música, quando, aos 4 anos de idade, assistiu a uma apresentação do violoncelista Yo-Yo Ma, desde então se dedicou ao violino, até seus 15 anos. Já aos 15, ela descobriu o contrabaixo e um mundo novo na música que o instrumento apresentou-lhe.
Seu primeiro contato sólido com a música brasileira foi quando uma amiga brasileira, a talentosa e expressiva contrabaixista Amanda Ruzza, mostrou-lhe um CD do Wayne Shorter, “Native Dancer”, que trazia alguns músicos brasileiros como Milton nascimento e Airto Moreira, esse álbum foi a ponte que ligou Esperanza com a nossa música. No seu álbum homônimo, lançado em 2008, ela canta a música “Ponta de Areia”, música do Milton Nascimento que foi regravada para o “Native Dancer”. Confira s versão de Esperanza:

Nesse mesmo álbum, encontra-se uma linda composição de Vinicius de Moraes e Baden Powell, “Samba em Prelúdio”:

No álbum “Nove”, de Ana Carolina, há uma participação de Esperanza na faixa “Traição”:

Seu contato com a cultura brasileira foi se espandindo cada vez mais. Em 2010, Esperanza começa a trabalhar com Milton Nascimento, trabalho que rendeu a faixa “Apple Blossom”, do álbum “Chamber Music Society”. Em 2011, em sua apresentação no Rock in Rio, novamente ao lado de Milton Nascimento, Esperanza focou sua apresentação na música popular brasileira.
Em entrevista recente, promovida pelo jornal Estadão, Milton Nascimento faz perguntas para Esperanza sobre a impressão que ela teve com o público brasileiro e se ela tem a intenção de gravar com mais músicos de nossa terra, confira a entrevista no link: http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,esperanza-e-a-descoberta-do-brasil-,1039470,0.htm

Esperanza Spalding é, na minha opnião, a estadunidense mais brasileira dessa geração!


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