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Caipira, ou porque não Arte?

Caipira, ou porque não Arte?

Socorro!!! Hoje estou inspirada, e pra quem não gosta do “Caipirão do Bão”, aconselho a dar uma chance a essa arte musical que tem cheirinho de mato, esterco e sensação de brisa numa linguagem bem roceira. Mas antes de continuar, em homenagem aos que realmente sentem prazer em falar sobre esse assunto, vamos rever uma pérola do Caipira conhecida pela maioria dos brasileiros: a canção "Você vai gostar" de Elpídio dos Santos interpretada na belíssima voz de Sérgio Reis.



Não sei por que, mas de repente me bateu uma vontade de falar de um assunto que hoje em dia já não se fala mais: o legítimo estilo caipira, o caipirão danado do interior, ou melhor, do rancho. Estilo musical que traz saudades da infância, da casa da vovó, das noites de luar onde se podiam ver as estrelas à noite, do cheiro de querosene queimando na lamparina. Época em que se ouviam canções em radinhos de pilha, aliás, quem nunca fez isso com o pai?
Eita época boa em que se faziam lindas serenatas e a preocupação maior era em ser feliz! Em que sentar numa mesa de bar era sinônimo de expressão de alegria. Onde se criavam histórias muitas vezes surreais, mas quando cantadas em melodias “caipirescas” eram capazes de fazer qualquer um que ouvisse projetar, em sua mente, cada detalhe desde o mais absurdo podendo quase transferir para a realidade.





É claro que eu não vivi essa época, mas cresci ouvindo causos de meu pai, avós e outras pessoas mais velhas. Infelizmente essa época não voltará para dar oportunidade aos dessa geração complicada da qual eu também faço parte, o que é uma pena, pois antes sim se sabia viver a vida de maneira intensa. Havia música que realmente retratava os sentimentos. Expressava-se tristeza, alegria, romance, coragem, enfim, qualquer sentimento de uma forma inocente, pura...


Muitos já choraram a perda de alguém querido ouvindo essas músicas, ou simplesmente se emocionam apenas pela intensa emoção que transmitem. Alguns já se imaginaram numa casinha branca com capela lá no pé da serra, ou se imaginaram grandes caçadores de onças ferozes.
Inúmeras são as histórias, e a imaginação é sem limites. O caipira não é apenas um estilo musical. É também arte e fantasia. É uma porta que te leva para o mundo da imaginação....É criativo e te leva a sonhar. E é disso que precisamos hoje, de um motivo para sonhar, de um impulso para sair um pouco da realidade cansativa e cair no universo de fantasias.

 

Grandes artistas foram responsáveis por levar a alegria de viver através desse estilo musical. Tonico e Tinoco, Jacó e Jacozinho, Abel e Caim, Sérgio Reis, Elpídio dos Santos e muitos outros que abusaram da criatividade na hora de dar nome à dupla. É velho? É, mas é inocente, é engraçado, emocionante, surreal, triste e é acima de tudo: arte, porque um só estilo se diversifica e retrata, ao mesmo tempo, um pouco da história de cada um. Quem nunca se identificou?

Clique no link abaixo para conhecer a história de uma das maiores duplas caipiras da história: Tonico e Tinoco... Curte a saudade aí!!!!




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A casa da Vovó

Aproveitando a semana da criança, vamos falar hoje desse mundo mágico e cheio de fantasias que é o da criança. Todos que leem esse blog já foi criança um dia, e nessa época tínhamos o poder de enxergar além do que os olhos conseguiam ver. Às vezes um pedacinho de papel se transformava numa enorme e poderosa nave espacial, ou com uma simples folha de árvore podíamos comprar tudo que queríamos.....




 Éh!!!! Esse era o mundo da fantasia que enquanto crianças não sabíamos a falta que nos faria um dia!!!! E já que estamos falando em fantasias, quero hoje aproveitar a brechinha do dia das crianças e postar aqui um lindo poema criado não por uma escritora famosa, mas por alguém muito especial, principalmente para mim: minha filha Vitória de onze anos, que conseguiu dar vida poética a coisas que para nós adultos não têm sentido algum, e vão perceber que num quintal é possível encontrar as mais lindas e belas rimas, rimas estas que nos fazem muita falta nos dias tão corridos que temos hoje!



A casa da Vovó.

Três lindos pássaros saltando
Como se estivessem num jogo,
E um cantinho pegando fogo.
Uma casinha cheia de troncos,
E folhas de árvore e de papel de escrever.
Uma casa para construção,
E um lindo pé de algodão.
Uma pia quebrada,
E uma parede rachada.
Uma plantação de hortaliças,
E borboletas dançarinas.
Em um alpendre maravilhoso
Há um banco de praça.
Um cheirinho de bolo bem gostoso,
E o vovô cheio de graça!
Um caminhão cheio de cervejas
Que acabou de passar.
Onze caixas de marimbondos,
Um sol rochoso e um pé de castanhas
Balançando com o ventinho a soprar!!!!!


E quem de vocês não sentiu saudades da casa da vovó????


















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Alvares de Azevedo, um romântico ao extremo


Dramaturgo, poeta e Don Juan brasileiro, Manuel Antônio Alvares de Azevedo foi um dos maiores escritores do ultra-romantismo. Em seus trabalhos encontra-se material nocivo para a saúde mental de qualquer desavisado, mas nem por isso vou deixar de recomendar esse escritor, do qual suguei os mais fortes escritos já lidos em minha adolescência.
            Grande admirador da pureza feminina, da qual procurava nos ambientes mais improváveis, mas como dizia em uma de suas obras:

“A virgindade da alma pode existir numa prostituta, e não existir numa virgem de corpo. Há flores sem perfume, e perfume sem flores. Mas eu não sou como os outros. Acho que uma taça vazia pouco vale, mas não beberia o melhor vinho numa xícara de barro.”
(Alvares de Azevedo - Macário)
Essa busca por tal virgem pura de corpo e alma, rendeu contos e poemas intensos, que fazem-nos refletir sobre o apreço que temos pelas pessoas e inclusive pela própria vida, um em especial mexeu comigo de forma que nenhum verso havia feito antes:

Lembrança de Morrer
Quando em meu peito rebentar-se a fibra,
Que o espírito enlaça à dor vivente,
Não derramem por mim nenhuma lágrima
Em pálpebra demente.
E nem desfolhem na matéria impura
A flor do vale que adormece ao vento:
Não quero que uma nota de alegria
Se cale por meu triste passamento.
Eu deixo a vida como deixa o tédio
Do deserto, o poento caminheiro,
... Como as horas de um longo pesadelo
Que se desfaz ao dobre de um sineiro;
Como o desterro de minh’alma errante,
Onde fogo insensato a consumia:
Só levo uma saudade... é desses tempos
Que amorosa ilusão embelecia.
Só levo uma saudade... é dessas sombras
Que eu sentia velar nas noites minhas...
De ti, ó minha mãe, pobre coitada,
Que por minha tristeza te definhas!
De meu pai... de meus únicos amigos,
Pouco - bem poucos... e que não zombavam
Quando, em noites de febre endoudecido,
Minhas pálidas crenças duvidavam.
Se uma lágrima as pálpebras me inunda,
Se um suspiro nos seios treme ainda,
É pela virgem que sonhei... que nunca
Aos lábios me encostou a face linda!
Só tu à mocidade sonhadora
Do pálido poeta deste flores...
Se viveu, foi por ti! e de esperança
De na vida gozar de teus amores.
Beijarei a verdade santa e nua,
Verei cristalizar-se o sonho amigo...
Ó minha virgem dos errantes sonhos,
Filha do céu, eu vou amar contigo!
Descansem o meu leito solitário
Na floresta dos homens esquecida,
À sombra de uma cruz, e escrevam nela:
Foi poeta - sonhou - e amou na vida.
Sombras do vale, noites da montanha
Que minha alma cantou e amava tanto,
Protegei o meu corpo abandonado,
E no silêncio derramai-lhe canto!
Mas quando preludia ave d’aurora
E quando à meia-noite o céu repousa,
Arvoredos do bosque, abri os ramos...
Deixai a lua pratear-me a lousa!
           
            Tantas obras de tirar o fôlego em uma vida tão curta. Aos 21 anos incompletos, ele faleceu, deixando a ideia de que já esperava o beijo da morte, como é citado em sua antologia “Lira dos Vinte Anos”:
“Vinte anos! derramei-os gota a gota
Num abismo de dor e esquecimento...
De fogosas visões nutri meu peito...
Vinte anos! ... não vivi um só momento!”
(Alvares de Azevedo – Saudades)
 

Eis o gênio que me apresentou ao mundo de Byron, Goethe e tantos outros escritores fantásticos que tive o prazer de ler!

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